Moda e Arte: Contágios

Moda e Arte: Contágios

21 de abril de 2009 Arte, Moda, No Radar 0

ilustblog

Se há mais de um século a arte admite a existência de obras que prescindem da materialidade para privilegiar processos e idéias, é o objeto pronto, e com função determinada, que dá sentido à moda e de certa forma a limita e a distancia do universo intangível dos valores da arte. Os trânsitos entre estas duas áreas ficam portanto condicionados à observação dessas diferenças. Mas, continuamente expostas uma à outra, elas não escapam intactas desse contágio.

A moda, que também é produtora de sentidos, articula-se como um sistema de linguagem; mas a sustentação teórica de estratégias comerciais, apoiadas no apelo de constituição de identidades através da roupa, tem sido uma das aplicabilidades mais notórias decorrentes dessa capacidade. E isso, convenhamos, pode gerar lucros, mas é pouco para uma atividade que reivindica mais respeito do que o que recebe.

Felizmente, paralelos ao sistema de mercado surgem espaços de recepção e divulgação de valores abstratos gerados no terreno da moda, que preservam e veiculam manifestações que não são apenas adicionais de venda para formas pré-existentes, (ainda que possam exercer influência sobre elas), nem apenas material de estudo, mas que se apresentam como manifestações culturais de moda, imateriais, porém relevantes para o sistema de mercado. É o caso de determinada linha de imagens veiculadas em editoriais de moda em revistas de cultura contemporânea, que reforçam sua independência em relação ao sistema de marcas, distanciam-se do produto e operam como possíveis matrizes estéticas para novas configurações de gosto, sustentando-se por si só. Como pode acontecer com uma imagem na arte, mas, como se referem ao universo da moda e não se limitam a nenhum dos dois campos, constituem outro.

Poderíamos então falar efetivamente em um campo expandido para a moda. Utópico? Mas que sistema criativo não se alimenta de utopias?

Trecho de texto publicado na revista Dobras nº 2

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